Reportagem
Domingo 08/03/2009
Entrevista com Toinha e Fátima Batista
Duas das funcionárias mais antigas do Fortaleza, Toinha e Fátima Batista falam ao Site Oficial do clube sobre a emoção de tantos anos dedicados ao Tricolor de Aço.

Antônia Porfírio, a Toinha, começou a se envolver com a vida do Fortaleza na década de 1970. Entre tantas funções, já organizou doações em urnas na porta do estádio, cobrou mensalidades do Conselho Deliberativo de porta em porta, arrecadou chuteiras para os amadores treinarem, cozinhou e serviu refeições para os jogadores.

Atualmente, ocupa o cargo de auxiliar de nutrição e trabalha diretamente com o departamento de futebol profissional, servindo suplementação, vitaminas, sucos e frutos para os atletas após treinos e jogos.

Já Fátima Batista começou na arquibancada. Desde cedo, depois de jogar no time de Handebol do Fortaleza, se apaixonou pelo clube e começou a frequentar as partidas. Entre 1993 e 1995 foi presidente da torcida organizada Leões da TUF - até hoje, a única mulher a ocupar o cargo.

Foi convidada para integrar o departamento de recursos humanos do clube, em 1999, e hoje é a secretária do Conselho Deliberativo, mantendo contato diário com os conselheiros e organizando a vida do importante órgão.

Nesta entrevista, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, as duas falam das suas histórias no Fortaleza, que se confudem com a história de suas vidas e de suas famílias; citam grandes times, falam de futebol e comentam a participação cada vez maior das mulheres no futebol profissional.

Site Oficial: Desde quando a senhora é funcionária do Fortaleza? Como começou o envolvimento com o clube?

Toinha: Funcionária, com carteira assinada, desde o dia 2 de janeiro de 1980, graças ao ex-Presidente Camilo Aguiar. Mas eu ajudo o clube desde 1971. No início da década de 70, eu morava no Montese e trabalhava no escritório da Fábrica Fortaleza. Em dias de jogos, eu via a torcida passar com bandeiras enormes, mas não identificava se era a torcida do Fortaleza ou do Ferroviário. De imediato, gostei das cores do Fortaleza e comecei a frequentar os estádios. Depois, fui pras tertúlias do Rolim (festas organizadas pelo ex-conselheiro do clube, Luiz Rolim Filho), passei a ir aos treinos. Um dia, fui convidada pelo Sílvio Carlos para ir na reunião da FAF - Frente de Apoio ao Fortaleza. Comecei a ajudar levando urnas para juntar dinheiro. Depois me envolvi mais e ficava na portaria dos jogos, arrecadando para comprar chuteiras para os amadores, que treinavam descalços. Aí não parei mais: fiz cobranças pro Conselho Deliberativo, fui trabalhar na cozinha do clube, servindo as refeições dos jogadores diariamente.

Fátima Batista: Quando o Jorge Mota assumiu o clube, ele me convidou para trabalhar com mais duas pessoas no departamento de recursos humanos. Eu me envolvi com o clube desde a época que o Silvio Carlos formou um time de Handebol e eu fui jogar no time. Já tinha a simpatia, mas me apaixonei totalmente, comecei a ir pros estádios com meus irmãos e fui me envolvendo cada vez mais. Em 1993, tive a honra de ser presidente da TUF, com orgulho fui a única mulher a ocupar a função até hoje.


Toinha: cuidado e carinho com os atletas do Leão



Site: Cite um momento inesquecível no clube.

Toinha: Em 1985, quando o time foi campeão. Mas nem só por isso. Quando começou o campeonato, tinha um jogador no time, o saudoso Buíque. Ele teve um problema sério de saúde e ficou internado no meio do campeonato. Quando o time foi campeão, o elenco, a gente, todo mundo levou a taça pro Instituto do Coração. Foi uma das maiores emoções que eu já senti. O treinador era o "seo" Pepe. Depois, infelizmente, descobriram que o Buíque tava com uma doença séria e ele faleceu logo em seguida.

Fátima: O campeonato de 2000 foi inesquecível. Foi tanta luta, depois de tantos percalços, tantas dificuldades. Os dez minutos de joelho após o jogo em Sobral foram indescritíveis. Não tenho palavras, foi um título inesquecivel. Quando o Frasson fez o gol, foi muita festa. Não tem como narrar, mas estará na minha memória pra sempre.


Site: As senhores entendem de futebol. Por isso, citem o melhor time que já viram no Fortaleza.

Toinha: O time de 1982, montado pelo Dr. Ney, com Luizinho das Arábias jogando muito. Era um timaço.

Fátima: Com certeza, o time de 1982. Assis Paraíba e Pedro Basílio comandavam em campo. Eram dois craques, sem falar no Salvino, fantástico debaixo das traves.


Site: Qual foi o melhor presidente que o Fortaleza teve nesse período?

Toinha: Em primeiro, o Dr. Ney Rebouças. Depois, o Silvio Carlos. Foram pessoas que ajudaram o Fortaleza em todas as áreas e foram pais pra mim.

Fátima: Todos foram maravilhosos. Só em ser presidente do clube já é uma pessoa especial. É um time de massa, que envolve paixão e é muito difícil. A gente respeita só pelo fato de ser presidente de uma nação tão grande.


Fátima Batista: organização a serviço do Leão



Site: Como a senhora vê as mulheres cada vez mais participando do futebol profissional?

Toinha: Eu fico orgulhosa, porque quando eu comecei não era normal. Hoje a gente tem um poder igual ao dos homens. Até aqui estamos apitando jogos, temos a Eveliny Almeida abrilhantando, o que deixa a gente orgulhosa mesmo. Temos mulheres em cargos importantes em todas as áreas da sociedade e não poderia ser diferente no futebol.

Fátima: É extraordinário. Mulher é um ser humano de garra, de determinaçao. mesmo com discriminaçao, as mulheres conquistam o seu espaço...


Site: O que é ser Fortaleza?

Toinha: É a minha vida, meu mundo, minha convivência, meu dia-a-dia. É a minha família e a minha própria história. O Fortaleza é tudo.

Fátima: É tudo. É amor, paixão, garra, determinação. Tudo que há de bom nessa vida. Quando o Fortaleza entra em campo, tudo pára. O azul, o vermelho e o branco faz a gente vibrar. É muito amor.


Site: Deixa uma mensagem para a torcida do Leão.

Toinha: Que as mulheres que gostam de esportes, de futebol, sejam respeitadas. Tem muita violência nos estádios hoje em dia e eu não gostaria de ver isso. As torcidas são importantes no futebol cearense, mas deviam só ajudar o time e parar com as brigas. A rivalidade tem que ser apenas dentro de campo, fora de campo tem que ser paz. Hoje o ambiente é de medo.

Fátima: Que nós, torcedores do Fortaleza, estejamos unidos sempre. O torcedor tem que vibrar, fazer a nossa parte q é torcer, ir pro estádio, mandar energia positiva para o time em campo. Sempre foi assim. Tenho fé q vamos ganhar o Tricampeonato. Convoco as mulheres tricolores a fazer essa corrente.
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