Quinta-feira
01/07/2010
Entrevista com Zécandido
José Cândido Fontenele foi jogador no fim dos anos 30 e 40 no futebol cearense. Esse senhor de 88 anos, jogou no time Infantil do Fortaleza em 1936 e em 1937. Como profissional, jogou no fim de 1942 e em 1943. Zécandido, como era conhecido em seus tempos de jogador, teve passagens pelos seguintes times: Colégio São João, Peñarol do Alagadiço, América local e pelo Gentilândia onde foi jogador, treinador e até presidente. Pelo Fortaleza são quase 80 anos de amor e vida dedicada ao clube o qual foi tesoureiro em 1943, por indicação do Coronel Mozart.
Ele é casado com Dona Santinha, tem seis filhos, 16 netos e um bisneto. Sempre que pode reúne-se com quase todos, notadamente, nos fim-de-semana. Atualmente frequenta pouco os estádios por conta do alto grau de violência. Mas seu amor pelo Fortaleza é inconteste, pois sempre escuta e assiste aos jogos, torcendo fervorosamente pelo Tricolor de Aço. Irmão dos entrevistados anteriormente pelo Site Oficial, o pesquisador Aírton Fontenele e da fiel torcedora Dona Marizinha, o ex-jogador fala de sua vida voltada para o futebol e ao Fortaleza.
Site Oficial: Quais os clubes que o senhor atuou de forma profissional?
Zécandido: No tempo que a gente jogava se pagava para jogar, mas joguei no Ginásio São João em 1938 que era do capitão Juremir Pinho de Castro, o Gaúcho. Posteriormente joguei no Maguari, no time reserva em 1939. Em 1940 e 1941 pelo Peñarol do Alagadiço, em 42 fui para o América e no fim do ano voltei ao Fortaleza, onde havia sido campeão cearense infantil de 1937. Disputei o campeonato de 43 onde não terminei porque adoeci, finalmente de 46 a 50 no Gentilândia fui jogador, técnico e presidente do clube.
Site Oficial: Gerir um clube, por mais que de pequeno porte, não é algo fácil. Ser treinador de futebol, também é uma atividade que requer certa vivência, sensibilidade e técnica. Como foi a experiência de ser presidente, treinador, e jogador de futebol, ao mesmo tempo, quando o senhor esteve no Gentilândia?
Zécandido: Foi um prazer na minha vida ser presidente, participar da direção técnica e ainda jogar, foi uma satisfação imensa.
Site Oficial: Foi uma tarefa difícil conciliar as atividades de comerciante com a carreira de jogador de futebol?
Zécandido: Na minha época ninguém ganhava nada, não podia treinar no meio da semana porque ninguém conseguia ir. Quando virei patrão eu mesmo empreguei vários jogadores do Gentilândia. A gente também treinava de madrugada, conseguíamos permissão para jogar no Prado, escalavam-se cinco jogadores por carro.
Site Oficial: Como era enfrentar o Fortaleza mesmo sendo Tricolor? E enfrentar o rival?
Zécandido: Era meio doloroso. Em 1942 quando jogava no América, o primeiro jogo do campeonato foi contra o Fortaleza e eu fiz os dois gols do América. Em 1940, o último jogo do campeonato foi Fortaleza 7x1 Peñarol, e eu marquei o gol de honra. Enfrentar o rival foi um prazer que eu tive. Em 1943 jogando pelo Fortaleza, tenho até no jornal, nós vencemos o rival por 1x0, foi uma grande alegria.
Site Oficial: Como começou a sua paixão pelo Tricolor?
Zécandido: Desde que eu comecei a jogar no Infantil do Fortaleza em 1936, quando disputamos o primeiro campeonato oficial pela Associação Cearense.
Site Oficial: Qual foi à maior partida que o senhor já viu do Fortaleza?
Zécandido: Quando o Fortaleza completou 24 anos foi jogar contra a Seleção Cearense e vencemos por 2x0.
Site Oficial: E a maior conquista?
Zécandido: O Estadual de 1937 quando fomos campeões invictos.
Site Oficial: Digamos que você pode fazer um time do Fortaleza com jogadores da época que você quiser. Qual seria o time?
Zécandido: Zéaugusto; Louro, Valdemar, Zéfelix e Carneiro; Carinha, Moésio Gomes e Jandir; Juracy Machado, Mozart Gomes e Bececê. E sobre jogadores mais recentes quero citar: Luizinho das Arábias, Croinha, Pedro Basílio, Celso Gavião, Júlio César, Lucinho, Amilton Melo, Chinesinho e Rinaldo.
Site Oficial: Qual foi o momento mais gratificante que você teve como futebolista?
Zécandido: Ser presidente, treinador e jogador do Gentilândia, foi uma grande alegria.
Site Oficial: Você que revelou Mozart e Moésio Gomes que viriam a serem ídolos do Fortaleza. Como eram os irmãos? Já eram diferenciados desde jovens?
Zécandido: Desde pequenos jogavam muita bola. Moésio estreou no Gentilândia com 15 anos na ponta direita e eu de centroavante, e quando ele pegava na bola e começava a driblar não passava a bola e continuava.
Site Oficial: Como você se sentia quando via o Leão na situação triste em que vivia há um pouco mais de uma década?
Zécandido: Sentia vontade de fazer o que o Coronel Mozart Gomes fez. Formar a diretoria toda de jogadores. Eu mesmo era tesoureiro do Fortaleza.
Site Oficial: Mande um recado para os jogadores que estão defendendo atualmente o Tricolor.
Zécandido: Que joguem com amor e com raça. Eu acho que jogador que joga por paixão, hoje em dia, que bata uma bola pelo clube não existe mais. No tempo da gente tinha muita raça.
Site Oficial: Para finalizar, nos conte um pouco sobre a pessoa Zé Cândido.
Zécandido: Antes eu frequentava as festas em clubes sociais, que hoje não existem mais. No meu tempo a gente brincava muito. Tinham umas festas alegres com música ao vivo. Hoje é uma esculhambação. Antes a gente se divertia mais. Hoje prefiro me reunir com a família nos fins-de-semana.
Créditos: Luca Laprovitera, Bruno Mota, Ticiane Trévia e Gustavo Sá.